Um casal de amigos adorava vir a nossa casa, na verdade eles vinham todos os finais de semana independente do convite, e de fato nossos momentos eram muito agradáveis, alegres, nos divertíamos muito, o entrosamento era total com todos os membros das famílias. Certa vez, a esposa comentou comigo que a nossa casa era extremamente agradável e que eles simplesmente a adoravam, assim quando saímos em viagem de férias por uma semana, ofereci a minha casa para que eles ficassem ao longo dessa semana, eles então adoraram o convite e aceitaram mais que depressa e assim foi. Quando retornamos da viagem ela me confidenciou que na verdade não foi tão bom como esperavam, pois não estávamos presentes e chegou à conclusão que àquela felicidade desfrutada não estava na casa.
Ontem eu e meu filho de oito anos passamos por uma experiência diferente, levamos o carro ao mecânico para manutenção, a idéia era voltar para casa de táxi, mas resolvi que voltaríamos de ônibus, ocorre que moramos a 12 km da cidade, um percurso que demora em média 15 a 20 minutos de carro, (levando em conta os trechos de buracos e ruas de terra),Este mesmo percurso demora cerca de uma hora no ônibus, pois o trajeto é alongado para beneficiar diversos passageiros. Estava chovendo, então levei dois guarda-chuvas. Fazia tanto tempo que eu não andava de ônibus que me sentir meio envergonhada por não saber o preço de uma passagem de ônibus, por exemplo, a porta correta de entrada, enfim... mas curtimos a viagem, quando o ônibus parou na portaria do condomínio em que moramos, tínhamos mais um longo trajeto pela frente, cerca de 2 km de subidas por vias sem conservação, este trajeto seria facilmente vencido com tênis, sol e roupa apropriada, porém com calçados inadequados, chuva, barro e carregando sacolas e bolsa, os obstáculos são ampliados, mas o meu foco estava em saber se meu filho realmente venceria este percurso de chinelo e carregando um guarda-chuva.... foi uma aventura muito bacana, ele veio tagarelando muito e quando estava muito cansado, parávamos alguns minutos para descansar, porém ele não emitiu qualquer reclamação, nos metros finais (os mais difíceis por ser rua de terra) inventamos que estávamos em uma competição com muitos participantes e estávamos prestes a receber a bandeirada e viemos narrando nossa chegada de forma emocionante e alegre, chegamos um pouco molhados e enlameados mas felizes por chegarmos em nosso lar, nosso porto-seguro. O meu filho então começou a falar algumas coisas do tipo: Mamãe que bom que temos um carro, você não acha? E depois; Mamãe, que bom que temos uma casa.
Durante um longo período da minha vida, quando eu ouvia confidências e relatos dos meus amigos sobre suas dificuldades, seja no âmbito familiar, nos relacionamentos amorosos, nas questões matérias, emocionais, etc. Eu ficava tão tocada de compaixão e amor, e de certa forma eu sempre conseguir enxergar as soluções muito claramente, não sei exatamente como isso ocorre, de todo modo muitas vezes fui tomada por uma vontade e prontidão plena para encontrar junto com a pessoa, a solução daquele que seria o entrave da felicidade e eu entrava de cabeça da história do outro, eu sabia exatamente o percurso a percorrer para chegar ao resultado esperado e achando que estava ajudando, eu acabava por me intrometer demais nas questões que não eram minhas, pois internamente eu sempre soube que os resultados são em decorrência da semeadura e que se não resolvemos os obstáculos internos (crenças e valores profundos que nos levam a plantios de dores), os problemas são ampliados, eu então sempre conversei muito, tentando mostrar outras formas de olhar, ou outras semeaduras. Depois de muito apanhar, descobrir que essas pessoas não desejam mudar seus plantios, pois apenas estão interessadas em colheitas. Ao longo de muitos anos me ferir muito e acabei ferindo sem querer as pessoas que eu desejava ajudar, pois invariavelmente eu cutucava as feridas da semeadura, mesmo sem perceber e como essas pessoas de fato não desejavam tocar nelas, eu passava a ser uma pessoa não grata e muitos laços de amizades foram rompidos restando mágoas de ambas as partes.
Só mesmo depois de muito tempo eu aprendi de fato, que cada um colhe exatamente o que planta e que absolutamente ninguém pode intervir nesse plantio a menos que haja um chamado verdadeiro (da alma) de quem está plantando. É muito doído ver as pessoas amadas caindo em precipícios, muitas vezes encontramos pessoas absurdamente ricas internamente com seus talentos bem evidenciados, portanto com potenciais incríveis para a felicidade, mas que não conseguem obter uma boa qualidade de vida e a escassez de recursos materiais é um carrasco constante em suas vidas, ou pessoas que aparentam ser extremamente amorosas mas não conseguem encontrar um parceiro (a) bacana, enfim sofrem muito pelas “faltas” que viram obstáculos e dificuldades.
No início, quando compreendi que a colheita é o resultado do plantio de cada um, endureci um pouco meu coração e não queria ver as pessoas que sofrem por isso; sejam os pedintes das ruas, sejam os amigos, vizinhos, colegas de trabalho, etc. Esse endurecimento, pode ter sido devido às minhas tentativas frustradas de “ajudar”, que por certo trouxeram más águas (mágoas) a intoxicarem meus fluxos internos. Hoje quero crer que estou a caminho da limpeza dessas águas, pois uma vez compreendido o funcionamento entramos na aplicação prática, da mesma forma que um médico estuda primeiro para compreender as mecânicas do corpo humano, para depois principiar o exercício prático da medicina.
Assim, ficou fácil compreender uma das lições de Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo” Se eu desejo viver em um mundo de paz, vou ser a paz, vou semear a paz, portanto me livrarei da maledicência, não vou me intoxicar com violência vendo noticiários, nem comentando meu ponto de vista com outros, simplesmente porque evidenciar a violência não traz nenhuma paz, ao contrário; se eu desejo amor, vou ser o amor, através da gentileza, do cuidado, do respeito, do perdão, não vou reclamar ou evidenciar as pessoas que não me amam, ao contrário vou colocar a energia do amor verdadeiro em ação, vou plantar amor e colherei de volta, amor, cuidado, respeito, etc. “ Nada muda, se você não mudar” Estar infeliz pode ser um alerta muito importante da nossa alma, para revermos nosso plantio de forma profunda e verdadeira. Também não desejo mais julgar as pessoas que estão colhendo do seu plantio, ao contrário desejo ajudar amorosamente, se reconhecer o chamado verdadeiro.
Namastê!!!
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