O segredo de um casamento feliz!
Certa vez alguém me contou sobre uma fábula que diz mais ou menos assim: havia um casal comemorando bodas de ouro, então fizeram a clássica pergunta ao marido:
- Qual o segredo do relacionamento feliz e harmonioso de vocês?
O marido então respondeu:
- O segredo é a bundinha do pão francês!
- Como assim? Você pode explicar melhor?
- Bem, a parte que eu mais gosto do pão francês, é a bundinha pois é crocante e deliciosa, porém, toda vez que vamos comer pãozinho, eu tiro a bundinha do pão e dou para a minha esposa!
- Puxa, parabéns pelo seu altruísmo.
Em seguida essa mesma pessoa foi conversar com a esposa e fez-lhe a mesma pergunta:
- Qual o segredo do relacionamento feliz e harmonioso de vocês?
A esposa prontamente respondeu-lhe:
- O segredo é a bundinha do pão francês!
- Como assim? Você pode explicar melhor?
- Claro que posso, a parte que eu mais odeio no pão francês é a bundinha do pão, pois é dura e sem graça, porém, toda vez que o meu marido vai comer o pão francês, ele tira a bundinha do seu pão e dá para eu comer, para deixá-lo feliz, eu como com prazer!
Refletindo sobre esse “conto” eu me faço inúmeras perguntas; uma delas é sobre o sentido da vida, eu nasci em uma geração onde a maioria das pessoas ainda venera a figura do Cristo pregado na cruz (segundo os astrólogos e esotéricos essa questão do auto flagelo está vinculada a era de peixes onde o sofrimento é venerado, cultivado como um troféu). Obviamente essa característica do cultivo ao sofrimento não iniciou na minha geração, é algo que herdamos dos nossos pais, que por sua vez herdaram dos nossos avós e assim sucessivamente. O cultivo ao sofrimento nos foi imposto em primeiro lugar pelas religiões que nos massacraram com a imagem do Cristo pregado na Cruz, com o corpo todo ensangüentado e uma cruel coroa de espinhos pregada na sua cabeça, é sem dúvida uma imagem muito forte! Já que Jesus foi morto dessa forma para pagar “nossos” pecados, então nós temos que cultivar o sofrimento para garantir um lugar no céu. Será? Bom, o próprio Mestre Jesus já sabia que levaríamos pelo menos dois mil anos para entender sua mensagem e o mais bizarro é que a mensagem é tão simples que faz com que pareçamos realmente muito idiotas por levar tanto tempo para compreendê-la. Jesus veio nos ensinar sobre o amor, mas até hoje ainda temos dificuldades de compreender o amor e então equivocadamente pensamos que amar significa se maltratar para fazer o outro feliz, embora Jesus tenha deixado escrito como mandamento: “amar ao próximo como a si mesmo”, o problema maior é que nos amamos tão pouco, que não confiamos em nós, nos achamos insignificantes e até medíocres, não nos consideramos dignos de ser amados, porém achamos que todo mundo tem que admirar e amar essa porcaria que, intimamente, achamos que somos, fazemos as maiores barbaridades para que os outros nos amem, mas não conseguimos nos amar e aceitar como somos, sempre encontramos defeitos em nós mesmos, um aqui outro ali, mas se alguém apontar esse defeito subimos na tamanca ou ficamos mortalmente magoados e feridos.
Eu penso que ir para o “céu”, já que o céu não existe, uma vez que nosso planeta está girando no espaço e de repente o que está em cima fica em baixo e vice-versa, assim, para estar no céu é preciso se colocar no céu aprendendo sobre o amor e as leis da natureza: para aprender sobre o amor, é preciso primeiro amar a si mesmo, se respeitar, se colocar como ser em condição de igualdade, lapidar sua luz interior e deixá-la brilhar intensamente sem qualquer medo, é não tentar esconder nossa sombra, pois quanto mais a escondemos, maior e mais poderosa ela fica, mas quando a aceitamos amorosamente jogamos luz sobre ela e naturalmente nos tornamos luz. Quando atingimos esse nível de consciência é impossível não amar o outro com a mesma intensidade, pois quando aceitamos amorosamente nossa sombra, aceitaremos com o mesmo amor a sombra dos outros, isso significa que amaremos o outro independente dos seus “defeitos” pois assim também fazemos conosco.
Voltando ao “conto” temos um conceito deturpado de felicidade, achamos que ser feliz é garantir, uma união onde todos admirem (paradoxalmente ficamos infelizes, pois queremos agradar a todos mas não nos agradamos). Fazemos isso achando que é justamente o que nos levará ao céu mostrando a todo mundo como somos bonzinhos e altruístas, alguém irá nos recompensar com o céu. Ainda não compreendemos que somos totalmente responsáveis por nossa felicidade, ainda queremos fazer o papel de criancinhas inocentes e indefesas, vítimas das circunstâncias, pois essa é a única forma de ganhar migalhas de amor.
Acredito que somente a verdade pode nos salvar, precisamos ser honestos e verdadeiros conosco, enfrentar nossos medos amorosamente.
Namastê!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
A Sabedoria da Natureza - parte II

Continuando sobre a sabedoria da Natureza....
As lições do bambu (por Roberto Otsu)
O bambu enraíza-se bem fundo antes de crescer fora da terra: o broto de bambu permanece inalterado no solo por um período de cinco anos, todo o desenvolvimento do bambu acontece debaixo do solo e ninguém vê, durante esse período as raízes se aprofundam e se espalham pela terra, palmo a palmo, em silêncio, enquanto isso o broto permanece inalterado, após o período de cinco anos o broto inicia um crescimento vertiginoso, e, em pouquíssimo tempo atinge 25 metros de altura. Essa é a lição da paciência e determinação. Crescer em pouco tempo não significa estabilidade. O imediatismo pode ser sinal de falta de planejamento. Ao contrário do que ensina o mundo ocidental, segundo os chineses, o foco deve ser no processo e não no resultado. Enquanto o broto está no subterrâneo, longe das vistas, ele permanece calmo, concentrado e espera o momento certo para mostrar a que veio, ele sabe que enquanto as raízes não estiverem firmes e bem espalhadas não adianta sair para a superfície pois cairia na primeira ventania. Todo tempo de espera é tempo de crescimento e aprendizagem, ou, no mínimo é uma oportunidade de exercitar a paciência, a peserverança e a determinação. Se não temos confiança na vida e nos processos naturais somos tomados pela angústia e pelo medo. Começamos a agigantar as dificuldades, os perigos, os fracassos e as frustrações, a isso, damos o nome de pré-ocupações, e isso não serve para nada, apenas para roubar a energia e a paz interior. Os sábios sabem que a confiança na vida e na natureza preservam o equilíbrio interior.
O bambu cresce reto e satisfeito com seu espaço: crescer reto e respeitar o espaço alheio; é não invadir, é não atrapalhar, nem solicitar o outro por qualquer coisa, o bambu chinês é humilde, precisa de pouco espaço, não toma o lugar de ninguém. Para os taoístas o lugar do outro é sagrado porque considera sagrado,seu próprio espaço. Crescer reto quer dizer, não competir com os outros, não se deter por coisas menores. O bambu não fica se comparando com outras plantas para saber quem cresce mais rápido, quem chama mais atenção, quem fica mais alto, quem faz mais sombra, etc. O importante para ele, é fazer o que tem que ser feito, de forma objetiva, com determinação e confiança.
O bambu é uma planta muito simples, é firme sem ser rígido, elegante sem ser chamativo, altivo sem ser arrogante. O essencial é simples, " olhai os lírios do campo que não fiam nem tecem, mas nem Salomão, em toda sua pompa, jamais se vestiu como um deles".
O bambu tem divisões que garantem sua resistência: se o talo do bambu não tivesse divisões, as fibras seriam compridas e poderiam se dobrar com qualquer vento, os nós do bambu tem a função de dividir e limitar o comprimento das fibras do caule. O que dá resistência ao bambu, são as divisões, os limites. A natureza tem limites fixos; para o dia e a noite, verão e inverno, e são esses limites que dão sentido ao ano, o dia tem 24 horas mas é dividido em período de claridade e escuridão, se houvesse apenas escuridão, os animais não conseguiriam absorver a energia solar necessária à vida, as plantas não produziriam oxigênio, se houvesse apenas claridade não conseguiríamos repousar, a temperatura do planeta se elevaria demasiadamente, as células dos olhos não suportariam o excesso de estímulos luminosos...São os limites que garantem a resistência e a vida de tudo. A falta de limite, em termos sociais, pode gerar atitudes desagradáveis como dar palpites onde não se é chamado até delitos mais graves como roubar ou atentar contra outros. O bambu já tem as divisões desde os brotos, assim também é necessário ensinar os limites desde a infância. Limitação, segundo os taoístas, significa moderação, evitar os extremos. Se o bambu tivesse limites a cada centímetro seria rígido demais, se não os tivesse seria muito flexível e se quebraria fácil.
O bambu curva-se no vendaval para não quebrar: uma árvore muito rígida quebra-se com um vento muito forte, o bambu não, ele se curva e depois que o vendaval passa, volta intacto a posição original. Flexibilidade é a capacidade de se adaptar às circunstâncias da vida, significa não ter posturas rígidas, nem físicas, nem psíquicas. Uma pessoa rígida não é feliz, não se permite os prazeres normais da vida e da própria pessoa. Rigidez é sinal de morte. Flexibilidade é sinal de vida. Um bebê é flexível e cheio de vida, um idoso é mais duro e sem a mesma vivacidade da criança. Flexibilidade é a capacidade de não resistir as coisas naturais que nos acontecem, por exemplo, o bambu não resiste à força do vento, é a não resistência que evita os danos.
A maior qualidade do bambu é o vazio interior: para a maior parte das pessoas o vazio tem um sentido negativo. Significa nulidade, "pessoa vazia" é alguém fútil, destituído de inteligência e profundidade. Para os orientais é o oposto, o vazio é a origem de boas qualidades. Se a nossa mente estiver entulhada de preocupações, não podemos pensar direito; se a agenda estiver cheia de compromissos, não podemos programar mais nada. Se a mente estiver livre, podemos resolver os problemas com consciência e tranquilidade.
Namastê!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Confiança
O dicionário Aurélio, diz que confiança é: Segurança íntima de procedimento, Esperança firme, crédito,fé...pesquisei a origem da palavra confiança, mas ainda não encontrei...assim, resolvi brincar um pouco com a palavra... "com - Fiança" (fiança é o ato de garantir o cumprimento de algo) um fiador é uma terceira pessoa que assume a responsabilidade solidariamente com o devedor, assim, um contrato que tem um fiador possui uma credibilidade a mais. Quando dizemos, eu confio, queremos dizer que acreditamos naquilo ou naquela pessoa: "com - Fio" parece algo que não está solto, tem um fio que fortalece que dá sustentabilidade....
Atualmente, tenho a sensação que estamos vivendo no oposto da confiança e esse oposto é o medo. Todos os sentimentos são benéficos, quando em equilibrio, um pouco de medo pode nos salvar de grandes perigos, no entanto, parece haver uma patologia com relação ao medo, nossa falta de confiança é tanta, que nos fechamos exageradamente em nosso "quadrado", nos isolamos, nos tornamos apáticos ao sentir, acabamos perdendo a confiança em nós mesmos e aí desencadeamos um processo de patologias (Pânico, fobias, etc). Parece que isso ocorre porque perdemos o fio que nos mantém unidos a teia de relações, nos sentimos desconectados e adoecemos.
Não deixa de ser curioso e paradoxal; buscamos tanto a segurança (cerca elétrica, sistemas de monitoramento, carros blindados, não falamos com estranhos, alguns tem segurança pessoal, etc)e quanto mais buscamos a segurança mais a perdemos, pois quanto mais você pensa no ladrão, mais você o atrai, isso, porque você fica na mesma vibração energética dele, e assim também ocorre com todas as outras coisas... a melhor forma de atrair uma desgraça é ficar pensando nela, se você acha que todo mundo vai te ferrar, é exatamente isso que vai acontecer porque: " semelhante atrai semelhante", ou seja, um pensamento de desgraça atrai a desgraça, um pensamento de medo, atrai o medo e assim por diante.
A melhor forma de restabelecer a confiança, é confiar.... primeiro passo é restabelecer a confiança em si mesmo, para isso é preciso se reconectar com o fio que nos liga a todos e a tudo. Aquele que acredita em si mesmo e caminha seguro, sabe que nunca está só, geralmente são essas pessoas que realizam grandes feitos, são essas pessoas que abrem caminho. Para resgatar a confiança é preciso também silenciar a mente e ouvir o coração pois o sentimento não pode ser racionalizado, precisa ser sentido. Para resgatar o "sentir" precisamos prestar atenção ao nosso corpo e suas mensagens, pois o corpo fala o tempo todo, contudo, normalmente escutamos apenas a mente. Por isso a necessidade das atividades físicas (esporte, academia, dança, meditação, artesanatos, etc)essas atividades nos ajudam a prestar atenção ao nosso corpo o que por sua vez, nos ajuda a resgatar o sentir, a estesia.
A música Mais uma Vez do Renato Russo, nos fala sobre a confiança de forma simples e amável, nos faz ver que a noite é necessária, é na noite que nos recarregamos, mas o Sol sempre volta a brilhar, as vezes temos um longo período de dias cinzetos e noites escuras, mas confiamos que o Sol vai voltar a brilhar....confiar nesse Sol interno é restabelecer a confiança em nós....por pior que seja o momento, pois "quem acredita sempre alcança"
Mais uma Vez - Renato Russo
Namastê!
Atualmente, tenho a sensação que estamos vivendo no oposto da confiança e esse oposto é o medo. Todos os sentimentos são benéficos, quando em equilibrio, um pouco de medo pode nos salvar de grandes perigos, no entanto, parece haver uma patologia com relação ao medo, nossa falta de confiança é tanta, que nos fechamos exageradamente em nosso "quadrado", nos isolamos, nos tornamos apáticos ao sentir, acabamos perdendo a confiança em nós mesmos e aí desencadeamos um processo de patologias (Pânico, fobias, etc). Parece que isso ocorre porque perdemos o fio que nos mantém unidos a teia de relações, nos sentimos desconectados e adoecemos.
Não deixa de ser curioso e paradoxal; buscamos tanto a segurança (cerca elétrica, sistemas de monitoramento, carros blindados, não falamos com estranhos, alguns tem segurança pessoal, etc)e quanto mais buscamos a segurança mais a perdemos, pois quanto mais você pensa no ladrão, mais você o atrai, isso, porque você fica na mesma vibração energética dele, e assim também ocorre com todas as outras coisas... a melhor forma de atrair uma desgraça é ficar pensando nela, se você acha que todo mundo vai te ferrar, é exatamente isso que vai acontecer porque: " semelhante atrai semelhante", ou seja, um pensamento de desgraça atrai a desgraça, um pensamento de medo, atrai o medo e assim por diante.
A melhor forma de restabelecer a confiança, é confiar.... primeiro passo é restabelecer a confiança em si mesmo, para isso é preciso se reconectar com o fio que nos liga a todos e a tudo. Aquele que acredita em si mesmo e caminha seguro, sabe que nunca está só, geralmente são essas pessoas que realizam grandes feitos, são essas pessoas que abrem caminho. Para resgatar a confiança é preciso também silenciar a mente e ouvir o coração pois o sentimento não pode ser racionalizado, precisa ser sentido. Para resgatar o "sentir" precisamos prestar atenção ao nosso corpo e suas mensagens, pois o corpo fala o tempo todo, contudo, normalmente escutamos apenas a mente. Por isso a necessidade das atividades físicas (esporte, academia, dança, meditação, artesanatos, etc)essas atividades nos ajudam a prestar atenção ao nosso corpo o que por sua vez, nos ajuda a resgatar o sentir, a estesia.
A música Mais uma Vez do Renato Russo, nos fala sobre a confiança de forma simples e amável, nos faz ver que a noite é necessária, é na noite que nos recarregamos, mas o Sol sempre volta a brilhar, as vezes temos um longo período de dias cinzetos e noites escuras, mas confiamos que o Sol vai voltar a brilhar....confiar nesse Sol interno é restabelecer a confiança em nós....por pior que seja o momento, pois "quem acredita sempre alcança"
Mais uma Vez - Renato Russo
Namastê!
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