quinta-feira, 18 de junho de 2009

O segredo de um casamento feliz!

Certa vez alguém me contou sobre uma fábula que diz mais ou menos assim: havia um casal comemorando bodas de ouro, então fizeram a clássica pergunta ao marido:

- Qual o segredo do relacionamento feliz e harmonioso de vocês?
O marido então respondeu:
- O segredo é a bundinha do pão francês!
- Como assim? Você pode explicar melhor?
- Bem, a parte que eu mais gosto do pão francês, é a bundinha pois é crocante e deliciosa, porém, toda vez que vamos comer pãozinho, eu tiro a bundinha do pão e dou para a minha esposa!
- Puxa, parabéns pelo seu altruísmo.
Em seguida essa mesma pessoa foi conversar com a esposa e fez-lhe a mesma pergunta:
- Qual o segredo do relacionamento feliz e harmonioso de vocês?
A esposa prontamente respondeu-lhe:
- O segredo é a bundinha do pão francês!
- Como assim? Você pode explicar melhor?
- Claro que posso, a parte que eu mais odeio no pão francês é a bundinha do pão, pois é dura e sem graça, porém, toda vez que o meu marido vai comer o pão francês, ele tira a bundinha do seu pão e dá para eu comer, para deixá-lo feliz, eu como com prazer!

Refletindo sobre esse “conto” eu me faço inúmeras perguntas; uma delas é sobre o sentido da vida, eu nasci em uma geração onde a maioria das pessoas ainda venera a figura do Cristo pregado na cruz (segundo os astrólogos e esotéricos essa questão do auto flagelo está vinculada a era de peixes onde o sofrimento é venerado, cultivado como um troféu). Obviamente essa característica do cultivo ao sofrimento não iniciou na minha geração, é algo que herdamos dos nossos pais, que por sua vez herdaram dos nossos avós e assim sucessivamente. O cultivo ao sofrimento nos foi imposto em primeiro lugar pelas religiões que nos massacraram com a imagem do Cristo pregado na Cruz, com o corpo todo ensangüentado e uma cruel coroa de espinhos pregada na sua cabeça, é sem dúvida uma imagem muito forte! Já que Jesus foi morto dessa forma para pagar “nossos” pecados, então nós temos que cultivar o sofrimento para garantir um lugar no céu. Será? Bom, o próprio Mestre Jesus já sabia que levaríamos pelo menos dois mil anos para entender sua mensagem e o mais bizarro é que a mensagem é tão simples que faz com que pareçamos realmente muito idiotas por levar tanto tempo para compreendê-la. Jesus veio nos ensinar sobre o amor, mas até hoje ainda temos dificuldades de compreender o amor e então equivocadamente pensamos que amar significa se maltratar para fazer o outro feliz, embora Jesus tenha deixado escrito como mandamento: “amar ao próximo como a si mesmo”, o problema maior é que nos amamos tão pouco, que não confiamos em nós, nos achamos insignificantes e até medíocres, não nos consideramos dignos de ser amados, porém achamos que todo mundo tem que admirar e amar essa porcaria que, intimamente, achamos que somos, fazemos as maiores barbaridades para que os outros nos amem, mas não conseguimos nos amar e aceitar como somos, sempre encontramos defeitos em nós mesmos, um aqui outro ali, mas se alguém apontar esse defeito subimos na tamanca ou ficamos mortalmente magoados e feridos.
Eu penso que ir para o “céu”, já que o céu não existe, uma vez que nosso planeta está girando no espaço e de repente o que está em cima fica em baixo e vice-versa, assim, para estar no céu é preciso se colocar no céu aprendendo sobre o amor e as leis da natureza: para aprender sobre o amor, é preciso primeiro amar a si mesmo, se respeitar, se colocar como ser em condição de igualdade, lapidar sua luz interior e deixá-la brilhar intensamente sem qualquer medo, é não tentar esconder nossa sombra, pois quanto mais a escondemos, maior e mais poderosa ela fica, mas quando a aceitamos amorosamente jogamos luz sobre ela e naturalmente nos tornamos luz. Quando atingimos esse nível de consciência é impossível não amar o outro com a mesma intensidade, pois quando aceitamos amorosamente nossa sombra, aceitaremos com o mesmo amor a sombra dos outros, isso significa que amaremos o outro independente dos seus “defeitos” pois assim também fazemos conosco.

Voltando ao “conto” temos um conceito deturpado de felicidade, achamos que ser feliz é garantir, uma união onde todos admirem (paradoxalmente ficamos infelizes, pois queremos agradar a todos mas não nos agradamos). Fazemos isso achando que é justamente o que nos levará ao céu mostrando a todo mundo como somos bonzinhos e altruístas, alguém irá nos recompensar com o céu. Ainda não compreendemos que somos totalmente responsáveis por nossa felicidade, ainda queremos fazer o papel de criancinhas inocentes e indefesas, vítimas das circunstâncias, pois essa é a única forma de ganhar migalhas de amor.
Acredito que somente a verdade pode nos salvar, precisamos ser honestos e verdadeiros conosco, enfrentar nossos medos amorosamente.

Namastê!

Um comentário:

Unknown disse...

Isso me lembra um dia no café da manhã, onde minha esposa sempre pegava um pão francês, partia ao meio e comia a sua metade. Eu pegava a metade que sobrava e comia. Depois do terceiro pão cortado ao meio eu perguntei a ela:
- Pq vc sempre come somente a metade do pão?
Eis que ela me respondeu sem se afetar:
- Ué, vc sempre come a outra metade!!!!!!

Aliás, minha esposa é esta pessoa linda e amável que escreve tão belos posts de conteúdo elevado neste blog. É um privilégio poder dividir o pão francês com ela...

Eu te amo minha querida.
Ass: MF