segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Amor próprio



Há alguns dias participei de uma aula de taoísmo ministrada pelo Escritor Roberto Otsu, aliás quero aproveitar para demonstrar minha admiração e respeito por esse mestre, comecei a admirá-lo quando li seu livro A Sabedoria da Natureza, que muito me ensinou e quando eu tive a oportunidade de conhecê-lo e participar dessa aula maravilhosa, minha admiração se solidificou. Nessa aula ele falava sobre algumas das milenares sabedorias chinesas tais como o taoísmo, I Ching quando então eu perguntei:
- Roberto, o que aconteceu com a China, um país que é o berço de tanto conhecimento e sabedoria, como pode hoje ser uma ameaça mundial com a sua infinita produção industrial, exploração de mão-de-obra escrava e devastação dos recursos naturais, vêm produzindo uma quantidade absurda de lixo, porque os produtos chineses, em sua maioria, são praticamente descartáveis. Sabemos que essa estratégia de enriquecimento do governo chinês, está causando danos irreversíveis ao planeta... Não posso entender. Onde se escondeu a sabedoria chinesa?
Ele estava com um objeto na mão, em formato de pêndulo, simplesmente levantou a ponta do objeto até uma das extremidades e me respondeu: - o que aconteceu com a China foi isso... E soltou a ponta do objeto, que saiu de uma extremidade velozmente para outra... Compreendi, sem mais palavras o que ele me mostrou.
De fato, sabemos que a sabedoria da vida consiste no equilíbrio dinâmico, quando insistimos em permanecer nos extremos fatalmente sairemos de um extremo a outro velozmente de forma até insana. Durante muitas centenas de anos nos ensinaram que devemos ser bonzinhos, devemos nos sacrificar pelos outros, devemos ser educados e nos “comportar bonitinhos” na convivência social, temos que ajudar o próximo, etc., etc., etc. Evidentemente era necessário estabelecer regras de convivência, afinal tínhamos que partir de algum ponto, seja do decálogo, seja do estudo da moral, enfim fizemos esse caminho do Jesus pregado na cruz (sacrifício) onde, na lenda religiosa consta que Ele morreu na cruz para nos livrar do pecado. Daí alguns perguntam: que pecado? Como pode uma criancinha que acabou de vir ao mundo ser pecadora? Daí a Igreja responde: do pecado original meu filho, aquele em que a dona Eva cedeu à tentação da serpente e comeu do fruto proibido. Daí compreendemos que esse pecado original era apenas o sexo, como todos nós nascemos de um ato sexual, então somos todos pecadores, por isso Jesus nasceu de uma virgem fecundada pelo divino Espírito Santo... Há bom, mesmo que do ponto de vista biológico ninguém possa explicar tal fato, não podemos discutir os desígnios de Deus, assim falaram os poderosos da Igreja, portanto não especulem mais nada.
Mas, voltando ao equilíbrio dinâmico e ao fato de termos aprendido que devemos nos sacrificar em prol do outro, de repente surge uma nova idéia vinda diretamente do decálogo: Amar ao próximo como a si mesmo, sempre prestamos atenção nas três primeiras palavras e agora descobrimos as três últimas, daí parece que fizemos que nem o pêndulo do Roberto Otsu... ÔÔÔPA! Descobrimos a importância do amor próprio, bingo!!! Como amar o outro se eu não me amo, é preciso descobrir o amor em mim e expandir esse amor a partir de mim para o mundo, passamos um longo período julgando o mundo e os outros e na expectativa de um mundo melhor sendo que para isso, os políticos precisavam ser melhores, nossos pais precisavam ser melhores, nossos vizinhos, parentes, amigos, etc. precisavam mudar, ou seja, o mundo precisava mudar.... Agora caímos na real, não é o externo que precisa mudar, a mudança precisa ocorrer em mim, eu sou um fragmento do mundo e toda escolha minha por mais insignificante que seja, afeta o mundo, logo o amor precisa nascer em cada fragmento, precisa nascer em mim, eu preciso me amar e me aceitar como sou, pois a partir daí, passarei a aceitar e amar os outros sem a necessidade de mudá-los, os julgamentos cessarão no exato momento em que compreendo e aceito que cada um tem seu caminho. Assim, não acharei mais ninguém estúpido, ou ridículo, ou belo ou feio, ou desejarei a pena de morte daquele assassino, ladrão, traficante, etc. É evidente que uma parte razoável da sociedade, talvez uns 95% ainda não aprendemos sobre respeito, limites muito menos sobre amor , um indivíduo que comete a barbaridade de um assassinato sabe tanto sobre isso, quanto um político corrupto, ou um empresário que pratica as maiores falcatruas para ficar mais rico, ou mesmo um líder religioso qualquer que se coloca acima de todos. Essas pessoas que saqueiam, livres de escrúpulos e respeito, a mãe Terra, as Nações e aos filhos da Terra porque acham que merecem uma fatia maior das riquezas, não se diferenciam em nada dos assassinos, estupradores, traficantes, etc. e é natural que a lei terrena aplique suas punições para que haja condições mínimas de convivência, não penso que os bandidos tenham que continuar impunes, mas penso que ao invés de julgarmos esses seres, precisamos ter um outro olhar sobre tudo isso, pois quanto mais julgamos e nos indignamos, mais as trevas se apoderam do mundo... E de cada um de nós. Ainda que não seja um olhar amoroso que pelo menos seja algo parecido com compaixão, pois a compaixão pelo outro não é senão a compaixão por nós mesmos, o outro é apenas o nosso espelho e quem nos garante se tivéssemos trilhado o mesmo caminho do outro, se não cometeríamos as mesmas barbaridades ou até piores, cada um tem sua história, seus valores, seu caminho.
Uma coisa que tenho percebido nessa descoberta do “amor próprio” é que muitos de nós estamos confundindo amor com egoísmo e é mesmo difícil separar, saí de uma visão de obrigação de sacrifício pelo outro para uma outra visão onde finalmente podemos nos colocar em primeiro lugar na fila, a questão é que se não entendemos a importância do respeito ao outro, transformamos esse “amor próprio” em egoísmo e acabamos sendo rudes e mal educados só para mostrar o quanto nos “amamos”. Acredito que amar-se a si mesmo é buscar a auto-aceitação, o autoconhecimento, somente quando aceitamos totalmente nossa luz e nossa sombra, nosso brilho e talentos e nossas imperfeições, poderemos ter um olhar amoroso sobre a inteireza do outro.
Namastê

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Disciplina...

Chico Xavier relata que quando seu mentor Emanuel se aproximou dele, pediu-lhe três coisas, a saber: 1ª disciplina, 2ª disciplina e 3ª disciplina. Isso me leva a refletir sobre o prazer fugaz e o prazer "verdadeiro". Normalmente não temos disciplina para discernir entre um e outro e assim nossas constantes escolhas pelo prazer fugaz nos aprisionam em um mundo ilusório onde nos instalamos no mapa e não no território e ficamos nos debatendo loucamente em busca da felicidade.
E o que a disciplina tem a ver com isso? Vejamos: sentimos aquela louca e irresistível vontade de comer um inocente chocolate para saciar um prazer fugaz, não exercemos a disciplina para resistir e caímos facilmente na tentação e parece que quanto mais comemos, mais queremos... difícil parar em um inocente e pequenino pedaço; da mesma forma não resistimos aquela louca vontade de fazer um comentário um tanto maldoso sobre alguém, principalmente quando esse alguém não é da nossa "panela" ou é um desafeto... Esse prazer fugaz é tão instigante que quando não há ninguém conhecido a quem possamos apontar algum defeito, automaticamente começamos a falar do governo, dos políticos, etc., sempre, é claro, nos colocando como alguém naturalmente bondoso, cheio de virtudes e que tem todas as soluções na "manga"; podemos ainda citar o prazer do cigarro, do sorvete, da cerveja, do sexo, das comidas e bebidas no geral. Ceder ao prazer fugaz nos parece um ato de liberdade, constantemente, para aplacar a culpa, dizemos o famoso jargão: "eu mereço" e assim o prazer fugaz nos afunda em dívidas e doenças de todo tipo (depressão, obesidade, câncer, neuroses e psicoses, egoísmo ou egocentrismo, desamor, etc.), tudo isso pela nossa falta de disciplina que nos leva a escolher o prazer fugaz.
Como conhecemos pouco sobre o prazer verdadeiro que, penso, refere-se a um coração repleto de alegria interior por ter ajudado verdadeiramente alguém, ou por aquele sorriso sincero e verdadeiro que salvou o dia de alguém, ou por aquela alegria profunda por estar na companhia de pessoas realmente amadas (não estou falando da paixão), mas daquele amor incondicional que continuará amando independente da aparência física ou de qualquer outra condição; aquele prazer verdadeiro de ficar feliz com a felicidade do outro, aquele prazer de fazer parte de uma equipe que se entrega por uma causa verdadeira, o prazer de estar inteiro com você mesmo, o prazer de uma meditação, o prazer de cuidar-se, de amar-se, de sentir-se orgulhoso por suas conquistas verdadeiras... o prazer de si permitir despir as máscaras sociais e descobrir-se um ser amado, descobrir sua luz interior, seu eu verdadeiro...
Só mesmo com muita disciplina poderemos nos aproximar do prazer verdadeiro e descartar o prazer fugaz, sem nos sentirmos violentados por isso. Só mesmo a disciplina poderá nos aproximar do amor.
Para alcançar a disciplina, creio que seja necessário descobrir novas formas de fazer as coisas, porque já sabemos que se quisermos resultados diferentes, precisamos fazer coisas diferentes, assim é necessária a disciplina para resistir pouco a pouco ao prazer fugaz; quando sentirmos aquela vontade irresistível de fazer um comentário maldoso sobre algo ou alguém, é importante da um breque nessa vontade ou trocar essa vontade por um pensamento bondoso, uma benção, sei lá, com o passar do tempo essa vontade vai desaparecendo... É interessante mudar a rotina, comer coisas diferentes, experimentar novos sabores, novos caminhos, novas amizades, novos pensamentos e sentimentos, novos hábitos como acordar 20 minutos mais cedo e fazer uma meditação podem fazer uma diferença verdadeira, real porque tudo muda, quando mudamos, a mudança só é possível em nós e através de nós. Somente nós temos a chave mágica que abre as portas da felicidade verdadeira, é uma ilusão bem ilusória colocar nossa felicidade na mão de qualquer outra pessoa.
Namastê!!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Segredo da mente milionária....

Uma das notícias mais comentadas deste dia, é a venda do banco PanAmericano, seja pela imprensa, seja pelas pessoas nas ruas, hoje cedo, por exemplo, enquanto eu fazia minha caminhada matinal, me surpreendi com várias pessoas que caminhavam e comentavam o assunto em tom de lamento: puxa vida o Silvio vendeu sua maior fonte de lucros por 450 milhões e não vai receber absolutamente nada da venda, já que o Banco tem uma dívida de 4 bilhões, esse valor entra como parte do pagamento da dívida. Enquanto as pessoas se apiedam da situação do Silvio Santos, ele sai da sala de negociações com um largo sorriso e declara: "Não é frustrante, é surpreendente, é emocionante. Os meus negócios são mais uma forma de diversão e de emoção."

Para alguns, o comentário soa como piada, mas se observarmos mais atentamente notaremos a sabedoria do comentário e o segredo da mente milionária. A maioria das pessoas ficaria abatida e vitimizada com uma situação dessas (ficar atolado em dívidas ou perda de patrimônio, aliás é o que mais deprime a população, mas a mente milionária gosta e vive da "graça", da diversão, da emoção que a vida proporciona, já a mente miserável prefere a "desgraça", o vitimismo, o apego excessivo às pessoas e coisas. Compreender isso pode doer muito, mas pode também ser o ponto que faltava para mudar alguma situação "dolorosa". Você pode estar pensando: Ah, mas para ele é fácil sorrir e se divertir, pois ele continua milionário. Daí vem a reflexão: Ele é milionário porque é alegre e se diverte com o trabalho ou é alegre e se diverte com o trabalho porque é milionário? afinal, quem nasceu primeiro?

Irmãos, chega de viver na desgraça, como nos ensina meu querido amigo Marcel Cervantes em seu poema " Vós sois o messias dessa nova era. A vossa vida é a vossa missão. Sagrada responsabilidade pessoal, que não deve ser delegada, nem submetida. E cada talento vosso é especial. Tudo tem seu valor e seu espaço" por isso, não entregue seu poder a ninguém, acredite em você, e no seu talento para ser feliz. Resgate suas infinitas riquezas internas, elas estão aí e só você pode acioná-las, se você der o primeiro passo na direção do que é verdadeiro, o universo vai conspirar a seu favor. Cada um de nós tem talentos especiais e singulares. Assuma o seu direito divino de se divertir e se emocionar com tudo o que faz e com tudo a sua volta, desperte para o belo, o sensível, o amoroso. Alguns de nós querem barganhar até mesmo com o amor, são aqueles que dizem: puxa eu fiz tudo por tal pessoa ou por tal empresa e veja o que recebo em troca? infelizmente enquanto nos colocarmos nessa posição onde damos esperando receber, nada receberemos de verdade, porque o amor não pede nada em troca, o amor é feliz simplesmente por amar, a felicidade do amor é justamente poder amar livremente e independente de qualquer barganha, quem ama de verdade sempre está na "graça", só mesmo quando nos libertamos dessa situação de esperar algo em troca é que podemos dar vasão aquele amor que explode de felicidade porque pode amar, sem julgamentos, sem condições impostas....

Viemos de um todo e ao todo retornaremos, mas precisamos chegar juntos, a alegria, a fé, a generosidade, o amor, serão nosso escudo nessa caminhada de volta. Não existem os "escolhidos" como acreditam alguns, da mesma forma que não existem os "espirítos superiores" como pregam algumas doutrinas, porque ser superior é estar acima dos demais, para que alguém seja superior precisa rebaixar outros e àqueles que verdadeiramente já descobriram o caminho de volta, apenas sabem que precisam iluminar o caminho dos demais e faz isso humilde e amorosamente. Como dizia Tom Jobim "ninguém pode ser feliz sozinho". Precisamos sair da desgraça e essa é uma porta que só se abre por dentro, cada um tem a sua chave, vamos abrir essa porta Com um "Sinto muito", "me perdoa" "eu te amo" "sou grata". Vamos aprender a grandiosa lição que o Silvio nos ensinou hoje: o segredo da mente milionária e da felicidade: alegria, diversão, emoção e desapego

Namastê



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