Chico Xavier relata que quando seu mentor Emanuel se aproximou dele, pediu-lhe três coisas, a saber: 1ª disciplina, 2ª disciplina e 3ª disciplina. Isso me leva a refletir sobre o prazer fugaz e o prazer "verdadeiro". Normalmente não temos disciplina para discernir entre um e outro e assim nossas constantes escolhas pelo prazer fugaz nos aprisionam em um mundo ilusório onde nos instalamos no mapa e não no território e ficamos nos debatendo loucamente em busca da felicidade.
E o que a disciplina tem a ver com isso? Vejamos: sentimos aquela louca e irresistível vontade de comer um inocente chocolate para saciar um prazer fugaz, não exercemos a disciplina para resistir e caímos facilmente na tentação e parece que quanto mais comemos, mais queremos... difícil parar em um inocente e pequenino pedaço; da mesma forma não resistimos aquela louca vontade de fazer um comentário um tanto maldoso sobre alguém, principalmente quando esse alguém não é da nossa "panela" ou é um desafeto... Esse prazer fugaz é tão instigante que quando não há ninguém conhecido a quem possamos apontar algum defeito, automaticamente começamos a falar do governo, dos políticos, etc., sempre, é claro, nos colocando como alguém naturalmente bondoso, cheio de virtudes e que tem todas as soluções na "manga"; podemos ainda citar o prazer do cigarro, do sorvete, da cerveja, do sexo, das comidas e bebidas no geral. Ceder ao prazer fugaz nos parece um ato de liberdade, constantemente, para aplacar a culpa, dizemos o famoso jargão: "eu mereço" e assim o prazer fugaz nos afunda em dívidas e doenças de todo tipo (depressão, obesidade, câncer, neuroses e psicoses, egoísmo ou egocentrismo, desamor, etc.), tudo isso pela nossa falta de disciplina que nos leva a escolher o prazer fugaz.
Como conhecemos pouco sobre o prazer verdadeiro que, penso, refere-se a um coração repleto de alegria interior por ter ajudado verdadeiramente alguém, ou por aquele sorriso sincero e verdadeiro que salvou o dia de alguém, ou por aquela alegria profunda por estar na companhia de pessoas realmente amadas (não estou falando da paixão), mas daquele amor incondicional que continuará amando independente da aparência física ou de qualquer outra condição; aquele prazer verdadeiro de ficar feliz com a felicidade do outro, aquele prazer de fazer parte de uma equipe que se entrega por uma causa verdadeira, o prazer de estar inteiro com você mesmo, o prazer de uma meditação, o prazer de cuidar-se, de amar-se, de sentir-se orgulhoso por suas conquistas verdadeiras... o prazer de si permitir despir as máscaras sociais e descobrir-se um ser amado, descobrir sua luz interior, seu eu verdadeiro...
Só mesmo com muita disciplina poderemos nos aproximar do prazer verdadeiro e descartar o prazer fugaz, sem nos sentirmos violentados por isso. Só mesmo a disciplina poderá nos aproximar do amor.
Para alcançar a disciplina, creio que seja necessário descobrir novas formas de fazer as coisas, porque já sabemos que se quisermos resultados diferentes, precisamos fazer coisas diferentes, assim é necessária a disciplina para resistir pouco a pouco ao prazer fugaz; quando sentirmos aquela vontade irresistível de fazer um comentário maldoso sobre algo ou alguém, é importante da um breque nessa vontade ou trocar essa vontade por um pensamento bondoso, uma benção, sei lá, com o passar do tempo essa vontade vai desaparecendo... É interessante mudar a rotina, comer coisas diferentes, experimentar novos sabores, novos caminhos, novas amizades, novos pensamentos e sentimentos, novos hábitos como acordar 20 minutos mais cedo e fazer uma meditação podem fazer uma diferença verdadeira, real porque tudo muda, quando mudamos, a mudança só é possível em nós e através de nós. Somente nós temos a chave mágica que abre as portas da felicidade verdadeira, é uma ilusão bem ilusória colocar nossa felicidade na mão de qualquer outra pessoa.
Namastê!!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário