Certo ou Errado?
O certo ou errado comanda nossas vidas em quase 100% do tempo....estranho isso não? Porém estamos antenados ininterruptamente nesse conceito e somos guiados por esse valor.
Provavelmente esse valor foi criado pelas religiões (um “mal” necessário em nossas vidas, segundo meu entendimento). Mas isso é assunto para um outro post.
Quando estamos em sociedade, ficamos antenados para nos enquadrarmos dentro das regras criadas por alguns, mas isso só vale quando acreditamos que estamos sendo avaliados ou observados, por exemplo: numa reunião social, nossas vestimentas deverão estar de acordo com as etiquetas, e procuramos seguir atentamente todas as etiquetas, seja no falar, no alimentar-se, nas maneiras em geral, somos guiados nesse momento pela necessidade de aceitação por parte do grupo, ou seja, nosso ego deseja ardentemente ser acariciado, elogiado e elevado às alturas, normalmente nesses momentos usamos nossas máscaras mais “duras” de forma a não deixar transparecer de modo algum aquele nosso “Eu” pleno.
Entretanto, quando estamos no trânsito...., por exemplo, bom nesses momentos somos anônimos, certo? Não tem nenhum “conhecido” nos observando...uau! hora de deixar cair as máscaras...viiiixxxi..., tente um dia se observar no trânsito, fique 100% ligado no seu comportamento ao volante. Faça o exercício: deixe um caderninho no carro e quando parar anote o seu comportamento: Quantas vezes você xingou alguém? Quantas vezes, usou a buzina? Quantas vezes, fez manobras inadequadas? Quantas vezes se distraiu com o rádio ou com o celular, ou olhando aquela espetacular espécime humana que estava na calçada ou atravessou a rua?...ou quantas vezes você fez julgamentos sobre o comportamento ou aparência de alguém? Eu, por exemplo, fui um dia, alertada, pelo meu marido, foi numa época em que ele ficou sem a carteira de motorista e eu dava carona para ele. O meu marido começou a se divertir ao observar o meu comportamento no trânsito, qualquer pessoa que fizesse algo, que, no meu entender, fosse inadequado, já era automaticamente taxado de “CORNO” ou “filho da puta” e isso era tão automático (aliás essa coisa do automático também é assunto p/ outro post) que eu nunca me dei conta, graças a Deus que ele fez essa observação e a partir de então, tenho procurado me conscientizar.
Quando estamos sendo observados nos ocupamos em fazer as coisas “certas” em ser politicamente corretos, etc, quando estamos anônimos (geralmente) assumimos nosso “pior”. Porém o que quero chamar atenção aqui é sobre a questão do julgamento (certo ou errado), por que as coisas não podem simplesmente ser como são? Por que eu não posso xingar um filho da puta que passa no farol fechado, por exemplo, sem precisar classificar esse comportamento como certo ou errado? Qual é a força que nos move para o julgamento?
Seria o que chamamos de “Ego”? (segundo a psicanálise: Ego = a parte mais superficial do id , a qual, modificada por influência direta do mundo exterior, por meio dos sentidos, e, em conseqüência, tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do id).
Tudo indica que sim, quanto mais alimentamos o tal do “Ego” mais entramos no julgamento das coisas, das pessoas, das instituições, das nações e até mesmo da natureza. Julgar, segundo o Aurélio é: pronunciar sentença, formar juízo crítico, etc. Entramos no julgamento também por acreditarmos na imutabilidade do universo, achamos que podemos definir o infinito, queremos definir tudo, até Deus, é o mesmo que dizer: isso é:...., o aprofundamento no estudo da física quântica tem mostrado que nada é, o átomo (acreditava-se até pouco tempo que fosse a menor partícula da matéria) tem natureza dual, pode se apresentar como partícula ou como onda, o comportamento do átomo varia de acordo com a fonte observadora, já foi provado também que o átomo já não é mais a menor partícula da matéria, agora a física está decompondo os quarks e quanto mais se aprofunda no estudo da matéria mais fica evidente que a matéria não tem solidez, é como se fosse uma ilusão de ótica, o que da solidez a matéria é a energia, está cada vez mais difícil de provar que a matéria existe. Logo, faz-se necessário aceitar a impermanência, nada é definitivo, muito menos as pessoas. Então como podemos “definir” que alguém ou alguma coisa é isso ou aquilo?
Já crescemos o suficiente para sair do julgamento, já sabemos que as pessoas são nossos espelhos, então toda vez que julgamos alguém, na verdade estamos olhando nossa imagem refletida nesse alguém, ou seja, estamos julgando a nós mesmos, hilário, ...há, há, mas, como disse Einstein “ Deus não joga dados” , a vida não é um jogo, como alguns querem crer, parece mais uma orquestra perfeita onde cada um tem seu lugar e seu papel, não é um dado que Deus joga para decidir o destino de alguém ou de algo, é uma sinfonia perfeita!
Então, como sair do julgamento? ACEITAÇÃO, aceitando primeiro a nós mesmos exatamente como somos, não significa idolatrarmos nossa ignorância, aceitar é sair do julgamento, nesse momento eu sou....” “ (magra, gorda, feia, bonita, maledicente, orgulhosa, etc) ok, eu me aceito e me amo incondicionalmente, não preciso me castigar por isso. Quando ocorre a aceitação, é o mesmo que acender uma luz na escuridão, a escuridão desaparece magicamente. Quando tomamos consciência do nosso estado, ocorre a transformação: a gata borralheira se transforma em uma linda princesa, é tão simples assim. Quando começamos a aceitar o nosso eu pleno, (luz e escuridão) encontramos o caminho da transcendência do Ego, o caminho do paraíso, o caminho da luz. Quanto mais negamos nosso lado escuro, mais ele fica evidente, arraigado, incrustado. Quando reconhecemos a escuridão, faz-se a luz, porque a consciência é a luz, então, tomar consciência é lançar luz, e somente a luz, pode combater a escuridão. Quando nos aceitamos como seres plenos, automaticamente passamos a aceitar o outro também plenamente, sem julgamentos. Ora, se o outro é nosso espelho e se julgamos o outro pela imagem que refletimos nele, no momento em que nos aceitamos, cessam os julgamentos certo?
Beijos no coração!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
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