segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Sempre a Primavera, nunca as mesmas flores"

Hoje, 22 de setembro de 2008 as 12h44, teve início a estação denominada "Primavera"

Segundo a filosofia taoísta, a natureza é dividida em ciclos e cada ciclo nos ensina uma lição:

Verão é o augue, onde o yang atinge seu ponto máximo, a vida entra em ebulição com a fartura dos alimentos, os filhotes ficam mais fortes, as águas evaporam e o céu fica carregado de nuvens, os brotos crescem rapidamente, é o momento de aproveitar a abundância da natureza;

No outono, a luminosidade do sol diminue pouco a pouco, os animais começam a se preparar para a ibernação, a natureza produz os últimos frutos, é o momento de estocar para suportar o frio que se aproxima;

No inverno é a época do recolhimento, as noites são longas e os dias são curtos, as árvores perdem suas folhas, a paisagem é só frio e silêncio;

Primavera, época de renascimento, a vida retoma suas atividades após a estagnação do inverno, as folhas brotam, a paisagem muda de tom, o cinza do inverno dá lugar ao verde claro e fresco, tudo volta a pulsar....época das flores, das cores, dos aromas...é a vida brotando, surgindo, colorindo e encantando....

Quero aproveitar esse momento mágico da Natureza, para deixar os meus "brotos" surgirem, Quero ser plena como a Primavera, a partir de hoje, não vou mais dar atenção aquela vozinha babaca que fica dizendo que eu não posso isso, não tenho capacidade daquilo...ah! cansei dessa voz boboca...Eu Sou!!!! Eu Sou o Sol, Sou a chuva, Sou a Terra, Sou a água, Sou o caminho, Sou o tempo, Sou o Vento, Sou a verdade, Sou o amor, Sou a vida...Eu Sou tudo e não Sou nada, Eu sou a plenitude: sou o claro e o escuro, o feio e o belo, a noite e o dia, o pequeno e o grande, o bem e o mal. Eu Sou as infinitas possibilidades! Eu me aceito na minha plenitude e sou grata por tudo o que Sou, não me julgo mais e os meus medos desaparecem quando aceito a plenitude!

Deixo aqui, um lindo poema...

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)






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